terça-feira, 28 de outubro de 2008

A Crise e o Cafezinho (por Tom Coelho)


É sempre assim. Quando uma crise qualquer ecoa em uma empresa, quem paga o pato é o cafezinho! Explico-me.

Tenho conduzido processos de reestruturação em empresas ao longo dos últimos anos. E o receituário para corporações em conflito passa necessariamente pela redução de custos.

Assim, procuro focar os cortes em ações significativas, atacando desperdícios e despesas supérfluas, revendo contratos de fornecimento, cuidando com atenção das despesas financeiras e, em especial, coibindo abusos da alta gestão por meio de uma nova cultura. Isso significa separar gastos pessoais de corporativos, no caso de pequenas e médias empresas, e adotar critérios mais rigorosos para pagamento de bônus e concessão de benefícios, nas empresas de grande porte.

Todavia, há ainda quem inicie um plano de estabilização pela extinção do café servido na copa, seguido da suspensão de treinamentos e programas de qualidade de vida, meio ambiente e sustentabilidade, propaganda e promoção, e até pesquisa e desenvolvimento. Claro que no final da linha está projetada uma indefectível onda de demissões, varrendo a empresa e assombrando os trabalhadores.

Em tempos de crise propalada como a que ora experimentamos, quando a panacéia toma conta não apenas dos mercados financeiros, mas também da cabeça dos gestores de empresas, cegando-lhes diante da realidade dos fatos e ceifando-lhes a racionalidade, há que ter ponderação, bom senso, prudência e visão de futuro.

Porém, a posologia míope adotada por muitos gestores coloca em um mesmo saco despesas operacionais e investimentos. Os aumentos de produtividade auferidos por meio de programas de capacitação são esquecidos. Os ganhos intangíveis de médio e longo prazo decorrentes de programas de qualidade de vida são desconsiderados. A melhoria na imagem institucional em função de ações relacionadas ao desenvolvimento de uma cultura de sustentabilidade é ignorada.

Iniciativas que demandaram meses ou anos para serem planejadas, estruturadas e implementadas são abortadas. Assim, jogam no lixo não somente o investimento realizado, mas também o entusiasmo, o comprometimento e as expectativas das pessoas envolvidas. A mudança nas regras do jogo desequilibra o sistema. A confiança, esteio das relações, é abalada com severidade.

No exato momento em que a comunicação precisa ser reforçada, campanhas publicitárias são suspensas. Quando novas tecnologias e processos precisam florescer, a inovação recrudesce.

Por fim, ocorrem as demissões irracionais, úteis apenas para enviar cérebros que conhecem o negócio, o mercado e a empresa para os braços da concorrência.

Não estou minimizando a conjuntura atual, mas apenas lhe conferindo a dimensão adequada. A economia sofrerá uma contração graças ao princípio da profecia auto-realizável: o pessimismo vai permear todo o sistema, reduzindo crédito, investimento e consumo em cadeia.

Algumas atividades sofrerão retração decorrente de menor demanda; a agricultura poderá sofrer perdas se, por ocasião da colheita, os preços vigentes não remunerarem o maior custeio atual da safra; há empresas que pagarão o preço por terem apostado em operações com derivativos quando deveriam ter focado sua atividade-fim. Mas não me venham com essa balela de real depreciado porque a cotação do dólar está há meses aquém de um patamar mínimo aceitável, nem com essa retórica de depressão econômica mundial iminente.

O que falta aos gestores – públicos e privados – é primeiro questionar onde, de fato, a crise está aportando. Depois, identificar as oportunidades ocultas. E, finalmente, diante da necessidade de ajustes, procurar cortar as gorduras – e não a carne.

sábado, 25 de outubro de 2008

Reconhecimento da governança corporativa

A governança corporativa das companhias tem sido objeto de vários estudos e passou a ser amplamente reconhecida como um fator essencial para o acesso das empresas ao mercado de capitais. O termo governança corporativa foi criado no início da década de 90 e, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ela é definida como o conjunto de relações entre a administração de uma empresa, seu conselho de administração, seus acionistas e outras partes interessadas.
Na teoria econômica tradicional, a governança surgiu para criar mecanismos eficientes e aptos a superar o chamado "conflito de agência", que surge quando o titular da propriedade delega ao agente o poder de decisão sobre essa propriedade e os interesses dos dois lados - daquele que administra a propriedade e de seu titular - nem sempre estão alinhados. Para evitar esse conflito, ela concedeu novo enfoque ao Conselho de Administração, à Auditoria Independente e ao Conselho Fiscal, a fim de assegurar o controle da propriedade sobre a gestão.Nesse sentido, a boa governança, norteada pelos princípios de transparência, eqüidade e responsabilidade, ajuda a diminuir os efeitos da assimetria informacional, atribuindo importância idêntica aos interesses de todas as partes da organização e minimizando os problemas decorrentes do conflito de agência. Em conseqüência, preserva e aumenta o valor da sociedade.
Tanto é assim que, em junho de 2000, a McKinsey & Co, em parceria com o Banco Mundial, conduziu uma pesquisa - "Investors Opinion Survey" - junto a investidores, representando um total de carteira superior a US$ 1,65 bilhão, destinada a medir eventuais acréscimos de valor às companhias que adotassem a governança corporativa. Apurou-se que os investidores pagariam entre 18% e 28% a mais por ações de empresas que adotassem melhores práticas de administração e transparência.
No Brasil, os programas de governança corporativa estão sendo cada vez mais adotados pelas companhias, sobretudo porque o modelo empresarial do país encontra-se em um momento de transição. De grandes oligopólios, de empresas familiares e de controle acionário definido e concentrado, caminha-se para uma nova estrutura de empresa, marcada pela participação de investidores institucionais, fragmentação do controle acionário e foco na eficiência econômica e transparência de gestão.
Há vários fatores de pressão a favor dessas mudanças: privatizações; movimento internacional de fusões e aquisições; impacto da globalização; necessidades de financiamento; intensificação dos investimentos de fundos de pensão e postura mais ativa dos investidores institucionais.
Dessa forma, não se pode deixar de reconhecer a importância das boas práticas de governança corporativa. Com o inexorável movimento de globalização econômica e seu reflexo no mercado de capitais, é inevitável que haja maior homogeneização das regras que regem as companhias, na medida em que os investidores, possuindo diversas opções para a aplicação de seus recursos e com facilidade para operar em vários países, estão cada vez mais exigentes com relação a seus investimentos.
Fonte: site administradores.com

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Iveco: Uma Empresa Global

A Iveco é uma das maiores produtoras de caminhões do mundo e a maior produtora de ônibus da Europa. Ano passado, suas vendas somaram 17 bilhões de dólares, com 295 mil veículos comercializados em todo o mundo (vende, portanto, por ano, em todo o mundo, duas vezes mais caminhões que todo o mercado brasileiro).

São 33 fábricas em 19 países como Itália, Alemanha, França, Austrália, etc. Sua atuação comercial atinge mais de 100 países. Na América do Sul, a Iveco possui três fábricas: no Brasil, na Argentina e na Venezuela. Esta base produtiva mundial emprega mais de 26.000 pessoas. Existe cerca de 1.200 concessionárias e mais de 4.500 pontos de atendimento.

A  Iveco faz parte do Grupo Fiat, cujo faturamento anual é de 59 bilhões de euros. Em 2007, o faturamento mundial da Iveco foi de 12 bilhões de euros, com a venda de 295 mil unidades, entre caminhões e ônibus.




Brasil tem exemplos de empresa ecossocial


Empreendimentos desenvolvidos na Amazônia e no Nordeste brasileiros foram considerados exemplos de uso de recursos naturais que melhora a vida dos pobres. Um relatório feito pelo PNUD, Banco Mundial, PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e Instituto de Recursos Mundiais destacou estes projetos por aliarem conservação ambiental e geração de renda.

Roots of Resilience — Growing the Wealth of the Poor (Raízes da resistência – Aumentando a prosperidade dos pobres), o estudo, mostra que “empresas adequadamente estruturadas podem dar uma força econômica, social e ambiental que amorteça os impactos das mudanças climáticas e ajudam a dar a necessária estabilidade social”.

Neste momento é essencial o desenvolvimento de empreendimentos que lidam com recursos naturais em áreas rurais, pois o agravamento das mudanças climáticas tem grande efeito sobre os pobres. De acordo com o relatório: “A deterioração das tendências ambientais e a estreita conexão entre pobreza e meio ambiente demonstram a necessidade de impulsionar a renda dos pobres de uma maneira que ajude a deter, e não a exacerbar, os danos ambientais. Duas décadas de experiência mostram que comunidades que se baseiam na gestão de recursos naturais (nas mãos adequadas e com o suporte apropriado) têm potencial de cumprir essa meta”.

O relatório mostra que há três elementos fundamentais para que o ecossistema possa beneficiar os pobres: estes devem ter controle de fato dos recursos naturais, deve haver desenvolvimento de capacidades e estabelecimento de redes entre empresas do setor.

http://www.pnud.org.br/cidadania/reportagens/index.php?id01=3062&lay=cid

domingo, 19 de outubro de 2008

Adiministração publica brasileira

Administrar, na base do Direito Administrativo do século XIX, era fazer valer a vontade de alguém que está acima do administrador, do legislador. O administrador seria o instrumento de realização da vontade do legislador, sem espaço à liberdade. O legalismo e a burocracia tornaram-se pilares de legitimação do poder político, em detrimento da discricionariedade. A obediência a processos formalmente corretos, do ponto de vista jurídico, seria mais importante que o atendimento a resultados.
Essa herança persiste nos dias atuais, onde o agente público, ao exercer seu papel, necessita seguir uma série de procedimentos, calcados em princípios da administração pública, para cumprir os elementos e requisitos necessários à formalização de seus atos.
No Art. 37, da Constituição Federal, verifica-se que a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, razoabilidade, moralidade, publicidade e eficiência.E o princípio da eficácia? Dentre os princípios constitucionais, o da legalidade tem norteado decisivamente as ações, impondo ao agente público a observância fiel a todos os requisitos expressos na lei como essência do ato vinculado. Isso implica um posicionamento que privilegia a execução somente do que é permitido e do que está regulamentado.
Contudo, essa pequena flexibilidade tem como resultado o distanciamento das novas técnicas de gestão, adotadas pelo setor privado, e tem reprimido a possibilidade de desenvolvimento da cultura empreendedora no setor público. Os reflexos dessa ineficiência são observados na defasagem que temos entre prestação de serviços públicos e privados no Brasil.Para entregar um serviço público de qualidade aos cidadãos, desde o início da década de 90, várias estratégias de melhoria foram desenvolvidas e implementadas.
Em 1995, o governo federal publicou Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado e passou a privilegiar um novo modelo de administração pública: a Administração Pública Gerencial. O objetivo da reforma era de abandonar o modelo burocrático e adotar técnicas de gestão empregadas no setor privado com foco no resultado, ou seja, focar as ações no cliente-cidadão.Não se trata de ignorar o princípio da legalidade e o exercício do poder vinculado pelo Estado. Trata-se sim, de motivar o agente público a exercer o poder discricionário em benefício da sociedade. Discricionariedade é a liberdade de ação administrativa, dentro dos limites permitidos em lei. A faculdade discricionária distingue-se da vinculada pela maior liberdade de ação que é conferida ao administrador. Se para a prática de um ato vinculado, a autoridade pública está adstrita à lei em todos os seus elementos formadores, para praticar um ato discricionário é livre, no âmbito em que a lei lhe concede essa faculdade.
Para a realização de projetos de sucesso no setor público, é preciso que o administrador público seja cada vez mais empreendedor. Os administradores públicos não devem apenas atender aos princípios legais, mas também o princípio da eficácia, dos resultados, assumindo risco, inovando, fazendo a diferença em benefício dos clientes do governo, a sociedade brasileira. Usar a atitude discricionária de forma responsável pode aumentar a eficácia da administração pública que tanto precisamos para acelerar o processo de desenvolvimento econômico e social em nosso país.
Fonte: site administradores.com.

Impactos da crise financeira nas empresas brasileiras

Já percebe-se sinais de contágio da crise financeira global na economia real brasileira. Já atingem setores considerados motores do crescimento. Há estoques maiores e menor disposição para contratar trabalhadores. Essa percepção foi identificada em setembro pela Fundação Getulio Vargas. "É reflexo da queda da demanda externa. O pior é que há sinais de desaquecimento na demanda interna também. Caminhamos para uma desaceleração", disse o coordenador da pesquisa na FGV Aloísio Campello à Folha de S.Paulo. A freada será por causa da dificuldade de financiamento externo. Especialmente na infra-estrutura, que depende dos dólares, pode haver atraso em projetos fundamentais, como os de transporte, energia e telecomunicações. Sem eles o crescimento econômico não se sustenta. O presidente Lula, tentando salvar a turbulência na retórica, afirmou: "O Natal está chegando, não pode faltar crédito".

Setores que já sofrem com a freada:

Mineração:

CSN e Vale: Uma das conseqüências do desaquecimento mundial é a redução na demanda por insumos como o minério, principal produto de exportação de empresas como Vale e CSN. A CSN, de acordo com analistas, já acumula prejuízo de R$ 1, 2 bilhão com a variação cambial, que ainda não atingiu a Vale. Mas é certo que haverá queda de preços em 2009 - e portanto menos dinheiro em caixa.


Indústria Aeronáutica:

Embraer: A empresa adiou a entrega de cinco jatos dos modelos 170/190 prevista para 2009 porque os clientes que encomendaram as aeronaves estão com problemas para conseguir financiamento devido à escassez de crédito no mercado. Ou seja, existe o risco de os pedidos virem a ser cancelados, o que pode resultar em perdas de US$ 160 milhões para a companhia.

Têxtil:

Coteminas: Apesar de beneficiado pela valorização cambial (que barateia os produtos para exportação), o setor tem sofrido com a desaceleração do consumo na Europa e nos Estados Unidos, os principais mercados compradores dos produtos nacionais. “Tivemos queda importante, de mais de 10% nas vendas neste ano”, afirma o presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva.

Varejo:

Casas Bahia: A redução na oferta de crédito tem impacto direto no consumo e, conseqüentemente, nas empresas que atuam no varejo. Algumas lojas reduziram encomendas e as estimativas de aumento nas vendas de Natal. As Casas Bahia revisaram as projeções para o ano que vêm tentando prever os efeitos do crédito caro, escasso e com prazos menores.



Alimentação:

Sadia: A empresa, exportadora de carnes e com dívida em moeda estrangeira, admitiu perdas de R$ 760 milhões por causa das variações do real em relação ao dólar nas últimas semanas. Analistas estimam que a empresa terminará o ano com prejuízo de R$ 200 milhões. Em janeiro a previsão era de lucro de mais de R$ 500 milhões em 2008.

Fonte: Revista da Semana. Editora Abril. Edição 57 - 9 de outubro de 2008.

I SEMANA DE ADMINISTRAÇÃO DO CEFET-MG


PROGRAMAÇÃO

Dia 21/10 .
Anfiteatro - Campus I:
19h-21h - Palestra: “A importância da mobilidade e da Experiência Internacional”.
Palestrante: Orlando P. Merluzzi (Iveco Brasil).

Dia 22/10 .
Anfiteatro - Campus I:
19h-21h - Palestra: “Papel da Administração de Recursos Humanos como fator de Desenvolvimento Profissional”. Palestrante: Kátia Daniela Isidoro da Silva (Grupo Perfect).

Dia 23/10 .
Anfiteatro - Campus I:
19h-21h - Palestra: “O Marketing como ferramenta de crescimento em um cenário globalizado”.
Palestrante: Fernando Ribeiro (Iveco Brasil).

Dia 24/10 .
Anfiteatro - Campus I:
19h-21h - Palestra: “O Espaço de atuação do Administrador de Recursos Humanos nas Organizações”.
Palestrante: Ricardo Derze Coppus (Shopping Alameda, Juiz de Fora – MG).

Público alvo:
· Alunos do Curso de Bacharelado em Administração – CEFET-MG.

Número de participantes:
· Estima-se a participação de 90 pessoas por dia.

Inscrições
As inscrições serão feitas pelo site da Semana C&T (www.ivsemanact.cefetmg.br), a partir de 13/10/2008.