segunda-feira, 14 de julho de 2008

Lei seca: Empreendedores buscam alternativas para não perder clientes


Os bares de Belo Horizonte já contam com grande perda de clientes. Isso ocorreu por conta da Lei Seca (lei 11.705), sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 19 de junho, cujo objetivo é diminuir os acidentes de trânsito. Sabe-se que muitos deles ocorrem quando o motorista está sob efeito do álcool.

A lei parece estar funcionando, pois está afugentando as pessoas dos bares. De acordo com o diretor-jurídico da Abrasel (Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento), Persival Maricato, desde que ela entrou em vigor, os bares sofreram uma queda entre 30% e 40% no faturamento, o que acarretará demissões.

Como o governo não indica que irá recuar, o jeito, para os empresários que administram bares, restaurantes e danceterias, é usar a criatividade.Alguns bares estão oferecendo aos clientes caronas para casa via motoboy e pensam em oferecer chop sem álcool.

A lei, segundo a Agência Brasil, mostra que quem apresentar no teste do bafômetro percentual de álcool no sangue próximo de 0,3 miligrama fica sujeito a prisão de seis meses a três anos. Em quantidades inferiores, o condutor pode ser multado, perder a carteira de habilitação e ter o automóvel apreendido.

Antes dessa lei, o teor alcoólico permitido aos motoristas era de até seis decigramas de álcool por litro de sangue (o equivalente a cerca de dois copos de cerveja). Com a entrada em vigor da nova lei, o motorista que se recusar a fazer o teste do bafômetro sofrerá as mesmas sanções aplicadas ao motorista embriagado.

Fonte: http://www.administradores.com.br/

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sérgio Cavalieri é premiado com título de Industrial do Ano

Sérgio Cavalieri (primeiro à esquerda na foto), presidente do conselho de administração da Alesat Combustíveis, faz parte da terceira geração da família que criou o grupo Asamar. Os negócios do grupo Asamar resistiram ao tempo e se expandiram por diversas áreas de atuação. No dia 16 de maio de 2008, Cavalieri recebeu o título de Industrial do Ano, concedido pela FIEMG (Federação das Industrias do Estado de minas Gerais).


Sua trajetória profissional começou no fim da década de 1970, na fábrica de Cimento Montes Claros, uma das empresas da família. Quando formou em engenharia foi convidado para ser chefe de obras.

Em 1985 o grupo diversificou sua atuação para o ramo agropecuário e o executivo foi transferido para a nova empresa. Depois voltou para a empresa de cimento e só em 1991 tornou-se diretor. No período, Cavalieri conciliava o trabalho na fábrica com as funções de professor universitário e diretor de escola técnica. A experiência com a comunidade foi ótima e ainda hoje é uma das marcas registradas das empresas do grupo.

A venda da fábrica de cimento marcou uma nova fase da vida do empresário. Em 1995 começava o processo de sucessão, da segunda para a terceira geração. Neste período surgiram a Metro Desenvolvimento Imobiliário e a Ale Combustíveis (hoje AleSat). Acompanhando as mudanças do mercado, o grupo Asamar passou a ter um perfil investigador. A gestão das empresas esta nas mãos de profissionais e os seis acionistas que integram a terceira geração dão o direcionamento estratégico, identificam novas oportunidades e acompanham os desafios de cada empresa, junto aos seus executivos.

Uma das mudanças mais marcantes na nova fase do grupo foi à união da Ale com a distribuidora potiguar Sat, dando origem a maior empresa do segmento do Brasil. A Alesat tem hoje 1,2 mil postos em 21 estados brasileiros e faturamento anual de 6,7 bilhões de reais.


O atendimento é o diferencial mais conhecido dos postos da rede Alesat. Ele pode ser percebido no modo de se vestir dos funcionários e na maneira como são treinados para atender os clientes.

As mudanças parecem estar longe de acabar. Para Cavalieri o segredo é: “Os valores humanos. O respeito aos funcionários, aos clientes, aos fornecedores. Acreditamos na retidão nos negócios, na postura ética e no respeito ao meio ambiente. Esses valores nasceram na família e na religião e criaram a identidade do grupo”.

Fonte: Revista Encontro Indústria - maio/2008

Chiavenato



Idalberto Chiavenato é prestigiado pela excelência de seus trabalhos na Administração e nos Recursos Humanos, além da contribuição literária, exerce influência na definição e aplicação de modernos e inovadores conceitos administrativos nas organizações bem-sucedidas.

É um dos autores nacionais mais conhecidos na área de administração de empresas e Recursos Humanos. É graduado em Filosofia/Pedagogia, com especialização em Psicologia Educacional pela USP; em Direito pela Universidade Mackenzie e pós-graduado em Administração de Empresas pela EASP-FGV. É mestre (MBA) e doutor (PhD) em Administração pela City University of Los Angeles, CA, EUA. Foi professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV, da Escola Interamericana de Administração Pública da FGV do Rio de Janeiro e de várias universidades no exterior, além de ser consultor de empresas.

Publicou mais de 40 livros de grande destaque no mercado, além de uma infinidade de artigos em revistas especializadas. É provavelmente o único autor brasileiro que possui 17 livros sobre administração traduzidos para o espanhol. Recebeu vários prêmios e distinções (como dois títulos de Doutor Honoris Causa) pela sua atuação na área de administração geral e de recursos humanos.

Fonte:
http://www.governo.es.gov.br/site/noticias/show.aspx?noticiaId=99668318

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Comissões

Comissões, Apreciação critica e Glossário
É um grupo de pessoas ao qual se atribui um assunto para ser estudado ou projeto para ser desenvolvido. É esta característica de grupo que a distingue dos outros instrumentos administrativos.
Elas recebem diversas denominações tais como: juntas, conselhos, comitês.
A autoridade dada às comissões é tão variadas que reina a confusão acerca de sua natureza, pois ela pode ser desempenhar funções administrativas, técnicas, estudar problemas, ou mesmo fornecer recomendações.
Características:
1-Ela não é um órgão da estrutura organizacional, pois ela não tem objetivo específico, próprio e particular, ela tem um objetivo que geralmente abrange vários órgãos (assuntos interdepartamentais). Conta com participantes que pertencem a vários e diferentes órgãos e níveis hierárquicos da organização. As comissões funcionam esporadicamente ou intermitentemente durante certos dias ou em determinadas horas, ela dura enquanto não se atinge o objetivo. Já o órgão funciona ininterruptamente durante todo o funcionamento da empresa.
2-Ela pode assumir tipos diferentes sendo:
Formais - Quando fazem parte da estrutura formal da organização, assim ela tem estrutura duradoura dentro da a organização.
Informais - Ela não tem posição definida nenhuma delegação de autoridade, elas surgem quando a organização precisa fazer algum estudo, plano ou tomar uma decisão grupal sobre um problema específico.
Temporárias-Quando sua existência depende do estudo, sua duração é relativamente curta.
Relativamente permanente - Quando sua existência é prolongada por tempos.
As comissões possuem os seguintes princípios básicos:
1- Deve nascer de uma necessidade reconhecida por diversos departamentos da empresa e por todo o pessoal nela envolvido.
2- Devem ter membros apropriados que dominem os assuntos que vão analisador.
3- Sua autoridade e objetivos de vem ser claramente definidos.
4- Devem começar o seu custo, seus benefícios devem ser comparados ao custo de instalação.
5- O seu trabalho deve ser estudado. Ela deve ser suficientemente grande para incluir a quantidade de especialistas exigidas pelo trabalho e promover o intercambio de idéias e as deliberações, e por outro lado, não apresentar um custo elevado de tempo e pessoal requerido.
6- Seu funcionamento deve-se basear na cooperação entre seus membros.Devem oferecer oportunidades de participação democrática e igualitária entre os membros.
Vantagens:
Tomadas de decisões e julgamentos grupais, variedade de abordagem sobre um mesmo assunto, visão mais ampla, e intercambio de idéias.
Constituiu um amaneira eficiente de obter a coordenação para o alcance de objetivos múltiplos.
São eficientes como um meio de transmitir informações ás partes interessadas, com economia de tempo e com provável reunião de sugestões diversificadas.
Além disso, muitas vezes sua implantação pode o correr do receio em se delegar autoridade a um único órgão ou pessoa.(ex: um executivo por receio de assumir responsabilidade por uma decisão difícil ou de confia-la a uma só pessoa, pode utilizar a comissão para obter recomendações a respeito).
Desvantagens:
Possível perda de tempo na tomada de decisões, muitas vezes ela provoca é mais indecisão, pois o tempo exigido em uma deliberação é gasto em aspectos variados e pontos de vista divergente.
Daí a dificuldade de se chegar a um termo quando há heteroneidade de participantes.
Há a questão do custo e do tempo, visto que geralmente as comissões envolvem especialistas de áreas diferentes e seu custo financeiro pode ser elevado quando se conta com especialistas de alto nível e salário.
Há a absorção de tempo útil de vários funcionários e desperdício de tempo daqueles de membros desinteressados.
Substituição do administrador quando se delega a autoridade um a grupo, sendo que há certas decisões que o administrador poderia tomar sozinho de uma forma mais rápida.Além disso, a comissão pode tirar a iniciativa de comando.
As comissões também exigem que haja um coordenador excepcionalmente eficiente, capaz de driblar a acomodação de alguns participantes, a intransigência de outros, de romper a lentidão que é característica de qualquer procedimento democrático de deliberação e ainda evitar que a coordenação se perpetue e se torne inativa sem uma coordenação adequada.
Apreciação crítica
As comissões foram criadas durante a Teoria Neoclássica, como um tipo de organização utilizada como ferramenta provisória para evitar a constante alteração da estrutura organizacional e mantê-la estável, são ainda freqüentemente utilizadas. Contudo, na atualidade, elas vão sendo substituídas por um conceito mais dinâmico e moderno que são as equipes.

Fonte:Teoria Geral da Administração de Idalberto Chiavenato

Aplicação do Método

O QUE É PESQUISA

Para uma boa compreensão do que é metodologia é imprescindível saber o que é PESQUISA. A pesquisa consiste na execução de um conjunto de ações e de estratégias planejadas no projeto de pesquisa, integradas e harmonizadas seqüencialmente, para a geração de conhecimento original, de acordo com certas exigências e condições. Esse processo se inicia com:

a) a caracterização do problema (que fazer ?) delineado em dimensões técnicas e operacionais viáveis, delimitadas e objetivas;

b) o estabelecimento de um conjunto de afirmações conjeturais (hipótese) sobre a relação existente entre as variáveis, na forma de supostas e plausíveis respostas ao problema ou de explicações do fenômeno-problema, em proposições que podem ser testadas, nunca demonstradas ou provadas, a partir de dados e observações levantadas pelo pesquisador para servir como setas indicadoras da definição de objetivos, isto é, respostas de para que fazer? (objetivo geral) e para quem fazer? (objetivos específicos);

c) esses objetivos serão atingidos mediante a execução de ações planejadas e desenvolvidas conforme uma metodologia científica que responde o como fazer ?, de forma consistente com os cenários da pesquisa, os recursos disponíveis para sua execução e a finalidade ou aplicação esperada dos resultados.

O QUE É METODOLOGIA

Metodologia significa, etimologicamente, o estudo dos caminhos, dos instrumentos usados para se fazer pesquisa científica, os quais respondem o como fazê-la de forma eficiente.

A metodologia é uma disciplina normativa definida como o estudo sistemático e lógico dos princípios que dirigem a pesquisa científica, desde suposições básicas até técnicas de indagação. Não deve ser confundida com a teoria, pois só se interessa pela validade e não pelo conteúdo, nem pelos procedimentos (métodos e técnicas), à medida que o interesse e o valor destes está na capacidade de fornecer certos conhecimentos.

Nesse contexto teórico, há, de um lado, quadros teóricos de referência (o conhecimento acadêmico) por sua validade e, de outro, embasamentos empíricos.

Assim, a metodologia, mais do que uma descrição formal de técnicas e métodos a serem utilizados na pesquisa científica, indica a opção que o pesquisador fez do quadro teórico para determinada situação prática do problema objeto de pesquisa.

O conceito heurístico da pesquisa destaca a importância do problema, um plano de observações a contestar determinadas hipóteses e um método científico para descrever (estudos retrospectivos), estabelecer relações de interdependência entre as variáveis do problema (estudos diagnósticos) e fazer previsões (estudos prospectivos), entre outras finalidades da pesquisa em economia (propósitos da econometria, nesse caso).

A metodologia contempla a fase exploratória e estabelecimentos de critérios de amostragem, entre outros, e a definição de instrumentos e procedimentos para síntese e a análise de dados e informações, destacando o método.

O método, traço característico da ciência, representa um procedimento racional e ordenado (forma de pensar), constituído por instrumentos básicos, que implica utilizar, de forma adequada, a reflexão e a experimentação, para proceder ao longo de um caminho, (significado etimológico de método) e alcançar os objetivos preestabelecidos no planejamento da pesquisa (projeto).

Ao responder sobre o como fazer após ter-se definido o que é importante pesquisar o pesquisador busca conhecer a realidade, integrando trabalhos teóricos e trabalhos empíricos, em diferentes áreas e escalas de planejamento: macroeconômica, microeconômico e regional, ou exploratório e analítico.

Segundo esse conceito, é possível destacar vários elementos, tais como os instrumentos (métodos e técnicas), os objetos (materiais) e as referências teóricas. A harmonização e a integração balanceada desses elementos definem a metodologia de pesquisa.

A metodologia será, então, o estudo dos instrumentos de montagem de uma teoria ou o estudo dos arcabouços teóricos para atender a certas necessidades. Não estuda teorias, mas o modo de armação pela validade delas, com base em observações.

É oportuno salientar que essa distinção é abstrata, uma vez que existe uma adaptação (interação) mútua entre teoria e instrumentos usados para a montagem que permite definir o problema, formular hipótese, observar fatos e fenômenos, sintetizar e analisar as variáveis desses fatos e obter conclusões e recomendações sobre a realidade objeto de pesquisa e que se quer e pode alterar.

A pesquisa em economia, por exemplo, não pode excluir de seu trabalho a reflexão e as considerações sobre o contexto histórico e tendencial, e sobre estruturas e conjunturas do meio externo à pesquisa, projetadas num horizonte mais amplo (cenários). Essas reflexões e considerações devem ser tratadas na definição da metodologia de pesquisa.

Assim como a investigação científica se desenvolve com a utilização de métodos que tendem a orientar o processo de investigação, as técnicas de pesquisa relacionam-se à forma de se conduzir a investigação, compreendendo várias fases, da adoção de normas para a caracterização do problema até o tratamento e análise de dados e informações, bem como a elaboração do relatório final da pesquisa.

Há dois conceitos nessas considerações: o de método que, significa o caminho a seguir mediante uma série de operações e regras prefixadas de antemão, aptas para alcançar o resultado proposto, e o de técnica que não é o caminho como o método, mas sim a arte ou maneira de percorrer esse caminho.

O método se faz acompanhar da técnica, que é o instrumento que o auxilia na procura de determinado resultado: informação, invenção, tecnologia etc.

Em outras palavras o método é o procedimento que permite estabelecer conclusões de forma objetiva, enquanto a técnica é um sistema de princípios e normas que auxiliam na aplicação dos métodos, justificando-se por sua utilidade. Esta se traduz na otimização dos esforços, na melhor administração dos recursos e na comunicabilidade dos resultados de pesquisa.

Diversos critérios não excludentes podem ser adotadas pelo pesquisador para definir o que conhecer, por que conhecer e o como fazer, visando alcançar os resultados propostos no planejamento, de forma objetiva e com efetividade.

A escolha do método de pesquisa esta determinada, em parte, pela natureza do problema objeto da investigação. No caso de um estudo descritivo, por exemplo, em que se procura abranger aspectos gerias e amplos de determinado cenário ou contexto social e econômico, o interesse da pesquisa, explícito no projeto, poderá ser para um nível de análise de caracterização, ordenação e classificação dos fenômenos (técnicas da estatística descritiva), dando margem à explicação de relações de causa-efeito e possibilitando a compreensão dos fatores que provocam o problema.

No estudo quantitativo, diferente por sua sistemática e pela forma de abordagem do problema, as relações são, em geral, quantitativas (variáveis e de razão), em métricas e níveis de detalhamento próprios dessa abordagem, com, aparentemente, menores distorções de análise e interpretação dos resultados quando definidos numericamente por adequadas técnicas, métodos e modelos.

As técnicas de pesquisa, conforme conceituadas relacionam-se com a forma de conduzir a pesquisa, à maneira de percorrer o caminho de que trata o método ou, com os procedimentos práticos que devem seguir-se no processo de investigação, exigindo um esforço maior do pesquisador, bem como certa perspicácia para adotar os procedimentos operacionais mais adequados a seu caso de estudo.

Dentro dessas técnicas, é possível definir as ações e estratégias de pesquisa em novos contextos dos cenários (parcerias, descentralização, tendências, globalização, abertura de mercados e da economia etc.). Nesses contextos, surgem as oportunidades de novas áreas de pesquisa e identificam-se os entraves das tradicionais.



Apelo Ecológico

A vale quer ser verde

A maior empresa privada do Brasil lança uma campanha com apelo ecológico — seu maior desafio será provar que sua preocupação vai além do marketing

Divulgação

Mina da Vale: pior avaliação entre as mineradoras


Por Malu Gaspar

EXAME Em sua última campanha publicitária, que estreou no início de junho na TV, a Vale investiu na imagem de companhia sustentável, capaz de transformar minérios em sonhos e ainda fazer tudo isso respeitando o meio ambiente e as comunidades nos arredores de suas minas e instalações. A campanha faz parte de um colossal projeto de lançamento da nova marca da empresa, que, em novembro do ano passado, deixou de ser a Vale do Rio Doce para se chamar apenas Vale. Com orçamento de 59 milhões de reais, a estratégia de divulgação do novo nome aproveita para colocar a Vale na onda da “companhia verde”, a mais nova tendência entre as grandes empresas globais que querem agregar uma imagem positiva ao seu nome — seja ela uma mineradora, um banco ou uma companhia de celulose. Essas corporações já perceberam que empresas amigas do planeta têm maiores chances de ganhar a simpatia dos consumidores e investidores — principalmente na Europa e nos Estados Unidos. “Há uma busca desenfreada por aparecer bonito na foto”, diz Alejandro Pinedo, da consultoria Interbrand, especializada em avaliação e construção de marcas. “O apelo à sustentabilidade passou a ser considerado um dos requisitos para tornar as empresas mais competitivas.”

Um relatório da consultoria Ernst&Young divulgado em abril passado, aponta pela primeira vez a preocupação ambiental dos consumidores e investidores — qualificada como radical greening — como um dos dez principais riscos para os negócios de uma empresa. Nenhuma companhia quer ver colado à sua imagem o atributo de destruidora da natureza — e isso é particularmente dramático no caso de corporações que atuam em setores que já têm uma imagem ruim por seu alto impacto ambiental, como é o caso da mineração. No caso específico da Vale, a situação é complexa. Dois estudos recentes de bancos internacionais sobre sustentabilidade no setor de mineração colocaram a Vale em uma situação constrangedora. No primeiro, do Citigroup, a brasileira ficou em penúltimo lugar numa lista de 15 empresas. No segundo, da Goldman Sachs, a Vale foi a 14a entre 15 no ranking ambiental e a nona no ranking de investimentos sociais. Os bancos fazem esse tipo de relatório para orientar decisões de investimentos para clientes e instituições que levam em conta critérios de sustentabilidade na hora de aplicar seus recursos. Em maio passado, outro estudo, da Fundação Brasileira do Desenvolvimento Sustentável, fez uma comparação entre os relatórios de sustentabilidade divulgados em 2007 pelas cinco maiores mineradoras do mundo. O estudo avaliou 13 itens. A Vale ficou em último lugar entre nove.

A nova estratégia de marketing da Vale coincide com a expansão internacional da companhia. No ano passado, a empresa passou por seu primeiro teste de imagem global, meses depois do processo de aquisição da canadense Inco. O principal projeto da empresa era uma gigantesca mina de níquel na Nova Caledônia, uma ilha paradisíaca do oceano Pacífico, que enfrentava forte resistência dos aborígines que vivem próximo à área de extração. Ambientalistas europeus tomaram o partido dos aborígines e começaram a protestar contra a empresa. Preocupado com o impacto, o presidente da Vale, Roger Agnelli, se envolveu pessoalmente na solução da crise. Recentemente, a empresa anunciou que pararia de fornecer minério para os produtores de ferro-gusa acusados de usar trabalho escravo ou queimar carvão de madeira ilegal da Amazônia. Não queria correr o risco de passar pelo que passaram os produtores de soja de Mato Grosso, após uma campanha internacional deflagrada pelo Greenpeace em maio de 2006. A ONG organizou protestos em lanchonetes do McDonald’s na Europa acusando a rede de vender produtos contendo carne de frango alimentado com soja proveniente de áreas de desmatamento irregular na Amazônia. Imediatamente, a rede de fast food pressionou seus fornecedores internacionais para não comprar mais a soja brasileira proveniente dos arredores da floresta. A Vale nega que esteja reforçando suas políticas de sustentabilidade em decorrência do processo de internacionalização. “Sempre fomos preocupados com sustentabilidade. Apenas estamos investindo mais no processo de informação do que fazemos”, diz Orlando Lima, diretor de sustentabilidade da Vale.

O apelo da sustentabilidade
Três grandes empresas que apostaram no meio ambiente para melhorar sua imagem
McDonald’s
A rede foi acusada pelo Greenpeace de ser cúmplice da destruição da Amazônia por vender nuggets feito de carne de frango alimentado com soja plantada na floresta.Arede pressionou os fornecedores, que baniram a ração à base de soja da Amazônia
British Petroleum
Em uma estratégia preventiva, a petrolífera inglesa decidiu antecipar-se às cobranças dos consumidores e investiu 200 milhões de dólares para limpar sua imagem, apresentando-se como companhia de energia e não de petróleo
General Motors
A GM estuda abrir mão da linha de utilitários Hummer, um dos grandes sucessos de venda da empresa nos últimos anos. O carro tem péssima imagem entre os americanos politicamente corretos por consumir grande quantidade de combustível

As iniciativas tomadas pela Vale nos últimos meses mostram que a empresa sabe que, pior do que não ter uma imagem de “companhia verde”, é ser acusada de que essa imagem é falsa. “Algumas empresas que nos pedem para construir uma imagem ‘verde’ no fundo não são tão verdes assim. Alertamos que o efeito de se forçar um vínculo que não existe pode ser um desastre”, diz Pinedo, da Interbrand. “A empresa precisa realmente ter comprometimento ambiental.” Um dos casos que ainda despertam muita desconfiança, por exemplo, é o da British Petroleum. A BP, que sempre esteve associada à poluição, investiu 200 milhões de dólares nos últimos anos para se transformar numa companhia preocupada com meio ambiente, com grande espaço para energias alternativas. Isso, no entanto, não foi suficiente para livrá-la das acusações de “greenwashing” (maquiagem verde). Ainda hoje, a BP é patrulhada pelos ambientalistas, como provam as recentes denúncias de que estaria envolvida em um pesado lobby contra o endurecimento das leis ambientais nos Estados Unidos. No caso da Vale, por enquanto, a estratégia de aparecer como uma “companhia verde” não enfrentou reveses. Mas só o tempo — e as ações que vierem com ele — dirão se a campanha é apenas uma estratégia de marketing ou uma preocupação concreta.

fonte:Revista Exame

domingo, 6 de julho de 2008

O futuro da administração: Taylor x Follett

"Esperar um pouco menos, amar um pouco mais"

A observação do filósofo contemporâneo André Comte-Sponville, aproxima-se aqui de um dos temas mais sutis das sabedorias do Oriente, em particular do budismo tibetano: a esperança é, contrariamente ao lugar-comum segundo o qual não se poderia "viver sem esperança", a maior das adversidades.

Mas o que estes ensinamentos de Luc Ferry, filósofo e um dos principais defensores do Humanismo Secular, ex-Ministro da Educação na França de 2002 a 2004, tem a haver com gestão?

O próprio filósofo me ajuda com a resposta "a interrogação central de toda filosofia é o ser humano, "ser finito", limitado no espaço e no tempo.

E se o ser humano é "a interrogação central de toda filosofia", o que se dirá em uma organização pública, privada ou não-governamental.

No entanto, o tratamento aos colaboradores (em muitas empresas, funcionários ou empregados) ainda se baseia em pelo menos duas correntes bem distintas, que apesar do tempo que foram apresentadas, ainda resistem.

A visão "mais" conservadora se origina da busca por multiplicar o valor do esforço humano. O pensamento de seu autor fica claro na introdução de seu livro chamado Princípios da Administração Científica, onde afirma: "Vemos e sentimos o desperdício das coisas materiais. Ações desastradas, ineficientes e mal orientadas dos homens, todavia, não deixam indícios visíveis e palpáveis. A apreciação delas exige esforço de memória e imaginação. E, por essa razão, ainda que o prejuízo diário, daí resultante, seja maior que o decorrente das coisas materiais, este último nos abala profundamente, enquanto aquele apenas levemente nos impressiona."

Lembrou quem é o autor?

Sim ele mesmo; Frederick Winslow Taylor. Era 1911, e ele passava dias estudando as maneiras mais produtivas de apanhar carvão com pá.

Por sua vez, Mary Parker Follett (foto), a pensadora de gestão mais visionária do século XX, segundo Gary Hamel, nascida em Quincy, Massachusetts, em 1868, com vida marcada pela Guerra Civil Americana e pela Grande Depressão.


Follett foi contemporânea de Frederick Winslow Taylor, mas suas idéias sobre gestão eram decididamente da era pós-industrial. Vejamos algumas das afirmações que ela fez em Creative Experience, livro lançado em 1924:


  • A liderança não se define pelo exercício do poder, mas pela capacidade de aumentar a sensação de poder entre os que são liderados. O trabalho mais essencial do líder é criar mais líderes.



  • A tomada de decisão antagônica, por imposição, é debilitante para todos os interessados. Problemas controversos são mais bem resolvidos não pela imposição de um único ponto de vista em detrimento de todos os outros, mas esforçando-se para encontrar uma solução mais elevada, que integre as diversas perspectivas de todos os elementos pertinentes.

  • Uma grande empresa é uma coleção de comunidades locais. O crescimento individual e institucional é maximizado quando essas comunidades são autogerenciadas em grau máximo.

Hamel, acrescenta que liderança servidora, o poder da diversidade, equipes autogerenciáveis, foram as descobertas argutas de Follett sobre a natureza da liderança, saídas não de uma pesquisa das práticas de gestão da virada do século, mas do resultado de sua experiência na organização de centros comunitários no bairro de Roxbury, em Boston.


Munida de pouca autoridade formal, e diante do desafio de combinar os interesses de vários elementos rebeldes, Follett desenvolveu uma teoria de gestão que divergia, de forma incisiva, da sabedoria predominante na época.


Embora não tenha ocupado nenhum cargo em uma empresa, hoje, Follett é considerada uma das maiores profetas de gestão. Sua experiência encerra uma importante lição para os inovadores gerenciais contemporâneos: se você estiver no meio da cultura predominante, provavelmente não verá o futuro.

Fontes: Taylor. Princípios de administração científica. São Paulo: Editora Atlas, 2006.Hamel, Gary e Breen, Bill. O futuro da Administração. Rio de Janeiro:Campus, 2007.


Fonte: http://www.administradores.com.br